Crítica | Terra Selvagem (2017)

Esse é um filme que, certamente, precisa que o púbico faça um certo esforço para prestar a atenção, sem perder diálogos ou a linha dos acontecimentos, pois é possível que surja uma necessidade de voltar cenas e, se o mesmo não for feito, a experiência não será muito boa.

Enredo: o filme é ambientado em uma reserva indígena numa região gelada dos EUA e segue umcaçador de predadores (Jeremy Renner), traumatizado com o assassinato da filha adolescente que, encontra o corpo de uma jovem no meio do nada. A segurança local pede ajuda dos federais que enviam uma agente novata (Elizabeth Olsen) para cuidar do caso e ela pede a ajuda dele, que tem melhor conhecimento da região.

Trata-se de um suspense policial, com alguns elementos de drama que lembra um pouco, alguns clássicos como O Silêncio dos Inocentes e Fargo, devido ao ritmo e ao tom, que é meramente semelhante. Muitos críticos vem dando boas notas para esse filme, seja em blogs, sites e até no Youtube, mas assim como Bom Comportamento, vi um certo exagero por parte dessa mídia (e ainda acho que Bom Comportamento é infinitamente pior do que esse).

A direção é do Taylor Sheridan que é mais conhecido por seu trabalho como ator, mas ele também escreveu o roteiro de Sicario: Terra de Ninguém e A Qualquer Custo que são dois excelentes filmes e esse é seu segundo trabalho na direção. Nota-se uma eficiência ao focar em detalhes, uma movimentação suave em tomadas panorâmicas, além um bom trabalho de edição nas sequências de ação que carregam uma boa atmosfera de urgência. E mesmo sendo um trabalho claramente de iniciante, mostra bastante visão. Mas ainda assim não é uma direção isenta de problemas, visto que há um excesso de cenas onde não é necessária a câmera na mão e que chegam a ficar enjoativas e o ritmo lento começa a prejudicar a imersão do público.

O roteiro acerta em estabelecer um tom melancólico a realidade dos personagens, algo que é bom no começo, mas depois passa a flertar com o melodrama, já a clara crítica a segurança falha de certas regiões dos EUA é muito bem feita. Mas o principal problema é o processo investigativo que é bem mal desenvolvido e o final é problemático. Basicamente, o filme joga o público em uma pista falsa, que, no seu tempo, se revela uma pista falsa, mas não há um cuidado para criar mistério em cima do que realmente pode ter acontecido e o filme opta por revelar rapidamente esse mistério com o uso de flash-backs. E a conclusão da história é arrastada.

No elenco, a Elizabeth Olsen convence como uma policial treinada, mas que ainda está ganhando experiência, muito disso vai pelas reações e pela postura dela. Enquanto o Jeremy Renner da uma performance operante, ficando a impressão de que ele poderia ter feito mais do que o roteiro pedia, apesar de ter uma dinâmica aceitável com a Elizabeth Olsen. O Gil Birmigham está ótimo, mesmo aparecendo pouco, o Graham Greene da uma performance eficiente, mas o Jon Bernthal faz um papel muito inferior a sua qualidade interpretativa.

Tecnicamente, o filme tem uma cinematografia com bons enquadramentos que reforçam a imensidão gelada daquela região, o design de som é muito bem feito, porém a trilha sonora é esquecível.

Terra Selvagem teria um potencial para se tornar um futuro clássico, por ter uma história instigante, mas comete um ou mais pecados em cada elemento do filme, sendo o principal, o roteiro e não chega perto de tal feito. Mesmo assim, não é um filme descartável.


Escrita por Gabriel Pinheiro, essa crítica é um oferecimento de Doentes por Cinema.

Criador e Hoster do DaveCAST, estudante no SENAI, cristão reformado, crítico de trailers, odiador de burocratas e mestre de Role-Playing Jogo nas horas vagas.

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