Crítica | O Artista do Desastre (2018)

O Artista do Desastre chegou aos cinemas brasileiros semana passa e eu tive a oportunidade de ver um dos meus filmes favoritos – até o momento – de 2018.

O filme conta a história do aspirante a diretor Tommy Wiseau (James Franco) e o ator Greg Sestero (Dave Franco), que se mudam para Los Angeles para alcançar o estrelato em Hollywood. Wiseau banca a produção de “The Room”, além de escrever, dirigir e atuar no filme. O resultado foi pífio, com críticas negativas acabou se tornou um clássico cult justamente pelos seus defeitos.

Vale ressaltar que não é necessário ter visto o filme de 2003 para entender esse, porém caso você tenha assistido o filme original você acaba tendo uma experiência muito melhor, já que a obra é recheada de sutis referências ao filme original. Enquanto assistia, eu me sentia o Sherlock Holmes, – aliás, boa sacada do pessoal que legendou o filme no Brasil – sempre procurando referências e coisas que poderiam me ajudar a relembrar o “Cidadão Kane dos filmes ruins”.  O filme traz humor com drama, uma ótima mistura pra quem quer mostrar a produção de uma obra, no mínimo, bizarra. Bom, o que esperar da mente de um cara que não sabemos sua idade, sua nacionalidade, de onde vem seu dinheiro… Quem sabe seu Tommy Wiseau é realmente seu nome?!? (música do Arquivo X).

Antes do filme lançar o maior medo dos fãs de “The Room”  era se o James Franco conseguiria passar toda a excentricidade do personagem Johnny, – nome mais genérico possível pra uma produção americana – porém ao ver o filme todos ficaram mais tranquilos, James Franco não só é exímio em reproduzir as cenas e maneirismos de Johnny, como é muito parecido fisicamente! A sequência em que ele tem que fazer a famosa cena do “I did not hit her” é uma das melhores. Dave Franco, que vive o melhor amigo fura olho no melhor estilo Latino, não surpreende mas faz seu trabalho. Apesar disso acho irônico como o filme eleva a figura de Greg Sestero como se ele fosse um ator O.K. ou algo do tipo, sendo que na realidade ele é tão medíocre quanto ou pior que  o resto do elenco, muito provável que isso tenha acontecido por conta do livro que inspirou o filme tenha sido escrito pelo mesmo. Seth Rogen surpreende e funciona muito bem como o alívio do alívio cômico, no set de filmagens ele constantemente tem reações e questionamentos que o espectador esta tendo “por que ele está transando com o umbigo dela?”

Nos quesitos técnicos o filme é extremamente humilde: sua fotografia é simples e trilha sonora esquecível. Mas isso não tira o mérito do filme, se tratando de uma obra biográfica e pessoal, não da pra ir esperando planos abertos com uma super paleta de cores. Acredito que o filme peque ao acelerar suas coisas, eu estava muito envolvido com a trama e acabei ficando com um gostinho de quero mais. Acabou que aquela sequência final comparando a cena original com a recriação me relembrou que eu nunca mais quero chegar perto do filme original.


O Artista do Desastre foi indicado para os Oscar de:

Melhor roteiro orginal: Greg Sestero

Criador e Hoster do DaveCAST, estudante no SENAI, cristão reformado, crítico de trailers, odiador de burocratas e mestre de Role-Playing Jogo nas horas vagas.

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