Crítica | Liga da Justiça (2017)

Essa crítica poderia ter chegado com um “finalmente temos, um filme da Liga da Justiça, o qual sempre sonhamos”, mas graças ao desespero da DC Comics de alcançar os Studios Marvel economicamente prejudicou mais um filme.

Enredo: após os eventos de Batman vs Superman, o vilão Stephenwolf surge para roubar três caixas maternas, porque juntas elas podem fazer com que ele consiga trazer destruição e dor a humanidade. Para impedir que a ameaça se concretize, Bruce Wayne (Ben Affleck) e Mulher Maravilha (Gal Gadot) decidem recrutar super heróis para impedir que um apocalipse se concretize.

Alguns não gostam quando se compara a Marvel e a DC em seus respectivos universos cinematográficos porque pensam que você é fã incondicional de um e sempre vai falar mal do outro, alguns exageram nessa especulação chegando a dizer que você foi comprado por tal estúdio, por mais que isso não faça o menor sentido. Eu por exemplo, gosto mais da DC nos quadrinhos do que da Marvel, porém, no que se refere a qualidade dos filmes restritos no Universo Cinematográfico de cada um, a Marvel se sai melhor. E o grande motivador desse problema é o fato de que a DC Comics se apressou com o objetivo de fazer o mesmo sucesso que sua concorrente em pelo menos 5 anos, apresentando novos personagens de maneira apressada, sem se preocupar em trabalhar tom, atmosfera, desenvolvimento do universo, além de ter uma equipe de produção incompetente. A situação ficou tão instável que um diretor foi afastado da produção, outro foi contratado nas coxas e o Ben Affleck quer largar o personagem. Enfim, saindo do desabafo, vamos a crítica.

A direção é do Zack Snyder e do Joss Wheadon. E isso, logo de cara, representa um problema, visto que a linguagem de ambos os diretores é bastante distinta. O primeiro gosta bastante de criar sequências em câmera lenta, com um forte controle da “mise en scene”, utilizando enquadramentos perfeitos, exaltando seus personagens, udo isso utilizando câmera especial. Enquanto o outro cria sequências bem feitas na construção do que necessariamente com estilização visual. Há claros momentos onde faltou algo característico do Zack Snyder onde percebe-se a mão do Joss Wheadon, além da tentativa de equilibrar o tom. Além do fato de que há elementos no segundo ato que são limitados por ele, enquanto o primeiro diretor teria dado uma maior importância. O que se pode apontar como mérito de ambas os diretores é a capacidade de garantir valor de entretenimento. Eles estabelecem, tanto na direção como no roteiro, uma boa dinâmica dentro da equipe, sem hierarquiza-la e ao mesmo tempo levando em consideração que a idéia de uma liga ainda é algo para se desenvolver para aqueles personagens. Outro elemento interessante é a importância no conflito principal envolvendo um personagem improvável, além da apresentação de um novo mundo e a pequena amostra de um novo e aguardado personagem. O humor do filme funciona na maioria das vezes e ele não se concentra em uma única pessoa. Há alguns problemas envolvendo a motivação do vilão que é genérica, facilitações narrativas horríveis e alguns momentos onde o humor é adicionado, mas sem necessidade.

No elenco, o Ben Affleck continua sendo o melhor desse universo, tendo presença, fisicalidade, traços de sociopatia e um certo sarcasmo. Apesar da sua crise de meia idade não ser desenvolvida e ele não ser tão violento como no filme anterior. O Henry Cavill finalmente acerta o tom e da ao público o Superman certo, sem aqueles conflitos existenciais que nem valiam a pena desenvolver. O Ezra Miller está ótimo como o alívio cômico, e mesmo assim ele não é reduzido a isso. Enquanto o Jason Momoa também tem presença, é divertido, mas em nenhum momento você lembra do Aquaman. Os dois maiores problemas do grupo principal é o Ray Fisher que é completamente inexpressivo, sem falar que o arco dele não é suficientemente desenvolvido, enquanto a Gal Gadot, apesar de também ter presença, está mal dirigida. O vilão também é desastroso, com um visual e motivações genéricas. Outros nomes como Jeremy Irons, Diane Lane, Amy Adams e J.K. Simons estão mal aproveitados. Em compensação, é bom ver esses personagens todos juntos em cena.

Tecnicamente, o filme tem uma cinematografia em sépia característica do Zack Snyder, uma edição eficiente em criar um caos visual controlado e uma trilha sonora original inspirada, porém prejudicada pela inserção de temas solo de alguns super heróis que são mal inseridos. Enquanto o CGI fica bastante pesado no ato final.

Liga da Justiça, assim como Batman vs Superman, é um filme que é bom de assistir se você não estiver muito exigente e simplesmente queira ver os super heróis da sua infância todos juntos no cinema sem se preocupar com problema em cada aspecto do filme.

Pela boa vontade: Nota 7,0


Escrita por Gabriel Pinheiro, essa crítica é um oferecimento de Doentes por Cinema.

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Criador e Hoster do DaveCAST, estudante no SENAI, cristão reformado, crítico de trailers, odiador de burocratas e mestre de Role-Playing Jogo nas horas vagas.

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