Crítica | Corra! (2017)

Imaginem uma premissa semelhante a do clássico de 1967, Gess Who’s Coming to Dinner (Adivinhe Quem Vem Para Jantar) com o saudoso Sidney Poitier, só que de terror, sem previsibilidades e bons toques de humor negro.

Enredo: Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador. (Adorocinema).

É curioso saber que a direção é do Jordan Peele, famoso por seu trabalho como comediante, sendo esse seu primeiro filme fora do gênero no qual está habituado. E mesmo para um iniciante no horror, Peele se sai muito bem em termos de roteiro e direção. Para começar, há uma boa atmosfera de estranhamento crescente à medida que o filme segue a trama, dando uma impressão de que há algo ruim que está prestes a acontecer. Há muitas cenas estranhas onde nada é dito, mas o que é mostrado causa desconforto no público. O diretor também gosta bastante de fechar o enquadramento na expressão de seus personagens, quase mostrando o que cada pessoa está pensando, dando ênfase as suas expressões. Outro bom trabalho de enquadramentos aqui são algumas cenas simétricas que lembram os trabalhos do Wes Anderson, mas sem ostentação de um visual espetacular, além de muitos ângulos que dão a impressão do público estar em um pesadelo. No que diz respeito à narrativa, ela é quase perfeita no que diz respeito à estrutura de três atos. O elemento de mistério é aqui explorado de forma calma e agoniante ao mesmo tempo. No meio disso tudo, há uma boa crítica ao preconceito racial velado do século XXI, onde pessoas brancas de classe média alta fingem não ser racistas. Tudo isso é apresentado nos diálogos entre os personagens e suas interações não verbais. Existem de fato problemas de roteiro, sendo o primeiro, a participação do amigo do protagonista, o policial Rod Williams que é inserido como um alívio cômico e mesmo funcionando, gera momentos de quebra da narrativa, como se todas as suas cenas não pertencessem a esse filme e o próprio humor desses momentos funciona bastante individualmente. Mas o principal problema é o final que opta por revelar logo o grande mistério de forma verborrágica, mesmo que de um jeito minimalista. Impedindo uma excelente oportunidade de construir mais suspense.

O elenco é simplesmente excelente. O Daniel Kaluuya faz um bom trabalho com o seu olhar que transmite vários dos seus sentimentos em cena, tais como estranhamento, medo, dúvida e interesse. A Allison Williams consegue caminhar muito bem pelas distintas camadas da personagem. A Catherine Keener apresenta uma calma desconfortável que ajuda na construção de uma personagem enigmática. O Bradley Whitford transmite muito bem um cinismo desconfortante, enquanto o Caleb Landry Jones convence com seu olhar mal intencionado e visceral. Vale também destacar o bom investimento para com seus personagens de Betty Gabriel, Lakeith Stanfield e Lil Rel Howery.

Nos aspectos técnicos, o filme tem uma cinematografia ora com tons acinzentados em um ambiente cheio de detalhes, ora bastante limpa e com uma boa distribuição de cores vivas. A trilha sonora a base de violino é cortante e casa com a atmosfera de estranhamento crescente.

Get Out! é uma excelente novidade do cinema de horror. Com um roteiro muito bem afiado, uma direção inventiva e excelentes interpretações. Funciona como horror e, dentro das devidas proporções, como uma boa comédia de humor negro.

Paleta de cores belíssima da película

Escrita por Gabriel Pinheiro, essa crítica é um oferecimento de Doentes por Cinema.

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Criador e Hoster do DaveCAST, estudante no SENAI, cristão reformado, crítico de trailers, odiador de burocratas e mestre de Role-Playing Jogo nas horas vagas.

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