Crítica | 1922 (2017)

Enfim, a última adaptação de cinematográfica de uma obra do Stephen King, no ano de 2017. Não é melhor do que Jogo Perigoso ou It – A Coisa, mas está anos luz a frente de A Torre Negra. Mas em especial, esse filme foi capaz de, provavelmente, desenvolver musofobia em seu humilde crítico.

Enredo: 1922. Um fazendeiro mata sua esposa com a ajuda de seu filho, para poderem ficar com suas terras. A partir daí, situações vão, aos poucos, destruindo a vida de ambos.

Diferente de algumas adaptações cinematográficas dos livros de Stephen King, nota-se uma certa semelhança com outros trabalhos mais fiéis ao seu material original, como a utilização de elementos sobrenaturais de forma alegórica e trabalhar certas relações interpessoais, algo que é bastante trabalhado por King. Aqui, isso está presente no roteiro, aliado a um bom estudo de personagem, uma forte profundidade nas reflexões presentes na narração do protagonista que confessa seus crimes em uma carta, escondido em um pequeno apartamento. Outro acerto da trama é a inteligência do personagem principal. Basicamente, ele é o esteriótipo do homem do campo, apegado a tradicionalismos, misógino, um tanto severo, mas essa caricatura não é completada por uma baixa inteligência, pois ele se da ao trabalho de pensar.

Esse é o segundo filme do diretor Zak Hilditch, que, mesmo sendo pouco experiente, se mostra bastante eficiente. Apesar de não ter um trabalho engenhoso de câmera, com várias firulas visuais, há uma crescente atmosfera de que algo de ruim está para acontecer, além de um macabro pessimismo envolvendo o futuro dos personagens. O diretor também causa incômodo quando não poupa o público de momentos genuinamente nojentos e, sempre, agoniantes.

No elenco, o Thomas Jane está perfeito, o olhar dele ajuda em sugerir segundas intenções, medo, preocupação, arrependimento, além da linguagem corporal reforçar a postura de um homem do interior, sem falar no excelente trabalho de desenvolvimento do sotaque. A Molly Parker consegue transitar com facilidade entre as distintas camadas de sua personagem, e chama a atenção mesmo estando pouco em cena. O Neal McDonough tem um momento muito bom, porém o Brian D’Arcy James está mal aproveitado e o Dylan Schmid não tem capacidade interpretativa para carregar certas cenas.

Tecnicamente, o filme tem uma excelente cinematografia que realça as diferentes estações do ano, com tudo ficando mais escuro e tenebroso a partir de quando a história avança, lembrando bastante o filme Requiem for a Dream. O design de produção e o figurino são bastante realistas, criando uma reprodução de época bastante crível. Enquanto a trilha sonora a base de um violino cortante reforça uma atmosfera de angústia. Destaque também para o trabalho de maquiagem que cumpre o seu papel no que diz respeito a nojeira do filme.

1922 é um filme incômodo de diferentes formas, mas nunca sem baixar de qualidade. Tem uma boa direção, um roteiro eficiente, porém, um tratamento de elenco problemático. Mas se salva com bons aspectos técnicos.


Escrita por Gabriel Pinheiro, essa crítica é um oferecimento de Doentes por Cinema.

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Criador e Hoster do DaveCAST, estudante no SENAI, cristão reformado, crítico de trailers, odiador de burocratas e mestre de Role-Playing Jogo nas horas vagas.

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