2018, o ano do podcast!

Há dez anos eu escuto dos produtores de conteúdo de podcasts brasileiros o clamor por esse momento: o ano do podcast no Brasil. Além dos poucos podcasts que se destacaram no início da “podosfera” brasileira – de 2004 a 2007, a mídia nunca se tornou numerosa como os vídeos conquistaram o seu público no Youtube. E são vários os fatores que poderiam justificar isso, mas o objetivo desse artigo não é falar do passado, mas sim o que podemos fazer daqui em diante.

De 2015/2016 pra cá, novos podcasts surgiram, quando digo novos me refiro aos formatos e objetivos, diferentes dos habituais programas de bate-papo nerd ao qual estávamos acostumados. Essa recente leva de podcasts, considerados por alguns como “nova geração”, abriu outras possibilidades e expectativas para a mídia.

Dentro dessas expectativas podemos considerar o aumento do número de ouvintes e, principalmente, o sonho de monetização, como já acontecia com os youtubers.

E o que nós, produtores de podcasts podemos fazer para a realização desse sonho?

Analisando grosseiramente esse cenário, sabemos que o que contribui para a diversidade, e com isso oportunidades, é sair do mesmo, com novos formatos, temas variados, pluralidade de gêneros, distribuição, qualidade de conteúdo e o posicionamento como uma plataforma profissional; coloco isso desta forma, porque não adianta reclamarmos do mercado de comunicação – agências e clientes – sem começar a mudar isso.

Novos formatos e temas

Com o crescimento número de ouvintes na mídia, a exigência por novidades torna-se fator propulsor para que podcasters desenvolvam novos programas. O papo de bar entre amigos é bom? Sim, mas ninguém vive disso 24 horas por dia. Temos uma vida multitarefa, vamos à escola, faculdade, trabalho, temos família, relacionamentos e interesses por “N” coisas que fazem parte do nosso cotidiano e idealizações. O podcast pode abordar qualquer uma dessas áreas (e ir além), ser fonte de informação ou entretenimento que não seja apenas “desenhos dos anos 80/90”.

Sendo o podcast um produto pertinente à internet está intrínseco sua desobrigação com padrões pré-definidos, isto é, temos a viabilidade de poder criar e testar qualquer modelo, seja no formato de entrevistas, storytelling, investigativo, dramaturgo, seriado, educacional; em blocos, temporadas ou até mesmo pontuais.

E isso vale também para rentabilização, se é difícil atrair anunciantes para os tradicionais formatos de anúncios originários de rádios – spots, testemunhal e oferecimentos, o melhor seria produzir novas opções para possíveis investidores, como: programas exclusivos para lançamentos de produtos, séries que envolvam temas da marca, criar e vender podcasts para o cliente em potencial, desenvolver ações que envolvam os ouvintes e até mesmo levar o conteúdo para os colaboradores dentro das empresas.

Pluralidade de gêneros

Assim como a sociedade está em constante mudança, nossa forma de consumir e produzir também se ajusta a medida que tomamos consciência dessa transformação. O que antes era formado majoritariamente por homens, hoje, a diversidade de gêneros torna-se o novo condutor. E antes que você esbraveje que isso é coisa de esquerdista, sinto-lhe dizer que, homens, mulheres e LGBTIS sempre estiveram na sociedade, e inteligente é aquele que sabe, além de respeitar, oferecer produtos para todos.

Distribuição

Um fator muito discutido nos grupos de podcasts, é a transmissão dos programas em feed. O feed foi durante muito tempo a característica fundamental do podcast, como uma assinatura, permitindo que o usuário acesse e escute o podcast dentro de qualquer agregador. Mas estamos falando de novos formatos, então por que não mudarmos também o modo como distribuímos esse conteúdo?

Em terceiro lugar no ranking das redes sociais mais utilizadas no Brasil, o Whatsapp possui mais de um bilhão de usuários, diversas empresas o utiliza como plataforma de distribuição com segmentação de geolocalização, idade, gênero e comportamentos. Se os ouvintes não vem até você, que tal enviar o seu podcast para novos ouvintes? Uma outra forma de envio que considero assertiva é o e-mail marketing, uma estratégia já muito utilizada e que ainda entrega bons resultados.

Nota: para que essas ações gerem resultados é preciso planejar e não simplesmente spamar com envios desordenados.

Qualidade de conteúdo

A internet permitiu que pudéssemos criar e desenvolver o que quiséssemos. É por isso que encontramos tanta gente por aí, de diversas áreas de formação e atuação, produzindo conteúdo para web, somos “creators”, como gostam de dizer os gurus dos eventos de tecnologia e comunicação. Mas, o que muita gente esquece é que somos responsáveis por aquilo que falamos e transmitimos e o ouvinte tanto sabe, quanto aprendeu a cobrar por isso.

Um bom podcast não quer dizer, necessariamente, que tenha que ser profissionalmente técnico – isso é um papo para outro artigo, mas o que o programa entrega de substância faz dele único e atraente.

Três pontos que merecem atenção para a formação de um conteúdo relevante:

– O posicionamento do programa e uma conduta editorial coerente;

– Uma boa comunicação com textos verossímeis e interessantes, principalmente quando for pesquisas — seja ele falado ou escrito;

– É mais importante, conhecer seu público e saber o que desperta a sua atenção.       

Descobrir maneiras de estar à frente do que todos estão fazendo, entre vídeos e textos, entregando conteúdo diferenciado e relevante é um dos maiores desafios para os produdores.

Posicionamento profissional

Costumo dizer que ninguém é obrigado a fazer do seu podcast um produto profissional, mas se você está disposto a isso, então é preciso repensar a forma como se coloca no mercado e como quer ser visto pelos possíveis patrocinadores.

Planeje para vender o seu podcast como um produto. Com isso é necessário apresentar um portfólio, seja seus programas prontos ou até mesmo um piloto para a marca em prospecção. O mídia kit é um documento com números e valores, o portfólio é a sua estratégia de atuação.

Saiba também que o patrocinador precisa ter uma projeção do retorno de investimento, monte simulações com números de downloads, acessos na página, alcance nas redes sociais e principalmente o relacionamento que os ouvintes tem com o programa. Mostre que o seu podcast tem potencial para ser investido e boa sorte!


Escrito por Ira Morato, o texto original pode ser encontrado no Linkedin.


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Criador e Hoster do DaveCAST, estudante no SENAI, cristão reformado, crítico de trailers, odiador de burocratas e mestre de Role-Playing Jogo nas horas vagas.

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