Crítica | It – A Coisa (2017)

Essa é a segunda adaptação do livro It – A Coisa, considerada a melhor obra do renomado escritor, Stephen King, responsável por inúmeros outros livros de horror como Carrie – A Estranha, O Iluminado, Louca Obsessão, Conta Comigo, Cujo, entre outros que, assim como esses, virarão filmes. A primeira adaptação desta obra específica foi uma minissérie de 1991 que mais tarde foi transformada em um filme de 3 horas, trazendo Tim Curry como o palhaço Pennywise.

Enredo: Vários desaparecimentos começam a acontecer na pequena cidade de Derry. O responsável é uma misteriosa criatura em forma de palhaço. Um grupo de 6 crianças, que fazem parte do “losers club” resolvem unir forças para deter este monstro e acabar com as mortes.

A direção é do cineasta argentino, Andy Muschietti, responsável pelo filme Mama de 2013 e que agora dirigirá a sequência. Enquanto o roteiro é do, também cineasta, Cary Fukunaga responsável pelo excelente Beasts of no Nation, da Netflix. E mesmo não sendo a mesma pessoa, o responsável por ambos os principais elementos da composição de um filme, nota-se uma boa harmonia entre texto e execução visual. O medo aqui não é trabalhado a base de clichês e não necessariamente para causar sustos o tempo todo. Algo horrível pode ser visto mas não gerar pulos na cadeira ou se esconder debaixo do lençol, e o diretor entende isso. Há sustos, sim, mas eles não são o centro do elemento de horror. O absurdo, o visualmente desconfortável, o estranho, tudo isso gera medo. Sem falar que o filme compreende os medos reais das pessoas, sejam suas fobias, que são bem trabalhadas como um elemento chave para se compreender os personagens, sejam aqueles medos provocados por terceiros, tais como o bullyng e o abuso. Vale destacar algumas sequências mais fantasiosas que são bem trabalhadas, lembrando um pouco alguns filmes dos anos 1980, década essa onde ocorre a história. Outro feito do roteiro é reforçar a relação dos personagens principais. Camaradagem, confiança, alguns desacordos, piadas, tudo é bastante natural e segue a proposta de Stephen King ao criar o “losers club”. E mesmo acertando bastante, o filme não é desprovido de problemas. Há uma repetição no que desrespeito a utilizar os medos dos personagens como causadores das sequências de horror, um leve uso de clichês do gênero e o subdesenvolvimento de certos personagens mais secundários.

O que nos leva ao elenco. Mesmo que uns personagens são sejam tão bem desenvolvidos do que outros, não há nenhum mal ator nesse filme. O Finn Wolfhard é o melhor do grupo. Cheio de papas na língua, sarcástico, malicioso, mas nunca indiferente aos amigos. A Sophia Lillis e o Jay Lieberher carregam muito bem os dramas individuais de seus personagens. O Jack Dylan Grazer funciona como um alívio cômico sob controle. Já o Wyatt Oleff, o Chosen Jacobs e o Jeremy Ray Taylor, não tem o mesmo nível de complexidade. Enquanto o Nicholas Hamilton convence como um co-vilão da vida real. Mas o ponto alto é de longe o ator Bill Skarsgård como o palhaço Pennywise. Ele consegue exorcisar o personagem da associação ao ator Tim Curry, trazendo uma linguagem corporal, e um semblante de crueldade que fazem dele um dos melhores vilões do cinema atual.

Tecnicamente, o filme tem um CGI competente, uma cinematografia granulada que lembra a série Stranger Things, uma trilha sonora eficiente e uma reconstrução de época, aceitável.

It – A Coisa é um bom filme para os fãs da obra de Stephen King e para quem busca filmes de horror que não seguem padrões.


Escrita por Gabriel Pinheiro, essa crítica é um oferecimento de Doentes por Cinema.

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