Crítica | Death Note (2017)

É oficial, depois de Godzilla de 1998, Super Mario Bros. de 1993, Street Fighter de 1994, três filmes do Power Rangers, Tekken, The King of Fighters e Dragon Ball de 2009 e agora com Ghost in the Shell e Death Note ficou bem claro que o cinema norte-americano, seja em Hollywood ou na Netflix não sabem adaptar animes japoneses com raríssimas exceções. E isso só preocupa mais ainda os fãs de Akira e Alita, ambas as obras que possivelmente terão adaptações norte-americanas.

Enredo: Light (Naté Wolf) é um jovem nerd que sofre bullying na escola que encontra um misterioso caderno chamado Death Note onde ele pode escrever o nome de uma pessoa e a forma como ela morre. Quando um super detetive é colocado para investigar suas mortes, a situação sai de controle.

Esse é o mais novo filme produzido pela Netflix que, desde que surgiu, vem cometendo erros e acertos em relação a filmes e séries, mas se sustentando.

O diretor Adam Wingard faz um péssimo trabalho em criar cenas de morte com resultados completamente incoerentes, com exceção da primeira. Há um uso de sequências em forma de vídeo-clipe que são irritantemente repetitivas. Tal linguagem inclusive atrapalhou o clímax do filme. Há pelo menos uma cena de perseguição que é bem dirigida sem virar bagunça visual e uma edição mostrando acontecimentos ao longo de um tempo que é bem feita mas nada disso salva o resto do trabalho de direção atroz. Mas o pior disso são alguns ângulos de câmera que deixam o enquadramento torto que lembram Battlefield Earth.

O roteiro é uma verdadeira vergonha. Os personagens, além de mal desenvolvidos, tem atitudes ilógicas e o detetive L chega a maioria de suas conclusões de um jeito inexplicável. Quem assiste a série Sherlock da BBC vai perceber porque as descobertas dele são incoerentes.

O elenco é bastante prejudicado pelo roteiro. O Nat Wolf, o Keith Stanfield e a Margaret Qualley são prejudicados pelo mau desenvolvimento de seus personagens. Só quem se salva é o Shea Whigham que se esforça e o Willem Dafoe cujo trabalho de voz e o visual excêntrico criam momentos genuinamente desconfortáveis.

A cinematografia granulada reforça o clima de suspense, mas a trilha sonora é completamente genérica.

Death Note não chega a ser a pior adaptação de um anime japonês. E mesmo como uma obra que não pretende ser fiel ao material original, falha em não captar sua essência e ter um roteiro e uma direção cheios de problemas.

Nota: 4,8


Escrita por Gabriel Pinheiro, essa crítica é um oferecimento de Doentes por Cinema.

Ouça nosso podcast sobre o filme do Death Note da Netflix.


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